Da criação da Academia ao impacto global do Oscar, uma viagem pelos momentos, mudanças e símbolos que moldaram o cinema mundial
Quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi fundada, em 1927, Hollywood ainda buscava se organizar como indústria. O cinema já encantava plateias, mas precisava de reconhecimento institucional, regras claras e prestígio artístico. Dois anos depois, essa ideia ganharia forma com a criação do prêmio que se tornaria o mais famoso do mundo: o Oscar.
A primeira cerimônia aconteceu em 16 de maio de 1929, no Hotel Roosevelt, em Hollywood. Foi um jantar simples, com cerca de 270 convidados, duração de poucos minutos e nenhuma transmissão. Os vencedores já eram conhecidos com antecedência. Naquele momento, ninguém imaginava que aquele encontro discreto daria origem a um evento acompanhado por milhões de pessoas em todos os continentes.
O nascimento de uma tradição
Nos primeiros anos, o Oscar tinha um formato bem diferente do atual. Eram apenas 12 categorias e regras ainda em construção. O prêmio de Melhor Filme, então chamado de Outstanding Picture, foi para "Asas" (Wings), enquanto Janet Gaynor entrou para a história como a primeira vencedora de Melhor Atriz, premiada por atuações em mais de um filme, algo que nunca mais se repetiu.
A estatueta dourada, oficialmente chamada de Academy Award of Merit, logo ganhou o apelido de Oscar. A origem do nome nunca foi totalmente confirmada, mas versões apontam comparações feitas por funcionários da Academia ou referências pessoais. O fato é que o apelido pegou e virou oficial anos depois.
Crescimento e consolidação
Durante os anos 1930, o Oscar começou a se firmar como referência artística. Novas categorias surgiram, incluindo as de atores coadjuvantes, e a premiação passou a refletir melhor a diversidade de funções dentro de um filme. Ao mesmo tempo, Hollywood vivia seu auge criativo, o que ajudou a fortalecer o prestígio da cerimônia.
Na década de 1940, o mundo enfrentava a Segunda Guerra Mundial, e o Oscar também sentiu os impactos. Por falta de metais, as estatuetas chegaram a ser feitas de gesso pintado. Após o fim do conflito, os vencedores puderam trocar suas versões provisórias pelas tradicionais estatuetas douradas, um gesto simbólico de retomada e reconstrução.
A virada da televisão
O ano de 1953 marcou um divisor de águas. Pela primeira vez, o Oscar foi transmitido pela televisão. O que antes era um evento restrito à indústria se transformou em um espetáculo doméstico, assistido por milhões de pessoas. A partir daí, o Oscar deixou de ser apenas uma premiação e passou a ocupar um espaço central na cultura popular.
Com a televisão, vieram o tapete vermelho, a atenção à moda, os discursos emocionados e a expectativa pelo anúncio dos vencedores. A cerimônia se tornava, pouco a pouco, um ritual anual do entretenimento mundial.
Cinema, política e impacto cultural
A partir dos anos 1960 e 1970, o Oscar passou a refletir mais claramente os debates sociais e políticos do seu tempo. Discursos no palco começaram a ir além dos agradecimentos tradicionais. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 1973, quando Marlon Brando recusou o Oscar de Melhor Ator em protesto contra a forma como povos indígenas eram retratados em Hollywood.
Esses gestos ajudaram a transformar o Oscar em uma plataforma de visibilidade global, onde cinema e sociedade passaram a dialogar de maneira direta.
Recordes, blockbusters e novas gerações
Nos anos 1990, o Oscar entrou definitivamente na era dos grandes números. Filmes como "Titanic" bateram recordes e mostraram que produções de grande apelo popular também podiam dominar a premiação. O longa de James Cameron conquistou 11 estatuetas, igualando o recorde de "Ben-Hur" e consolidando a força dos blockbusters no Oscar.
Ao mesmo tempo, o evento buscava se renovar para acompanhar um público cada vez mais diverso e exigente.
Diversidade, streaming e mudanças estruturais
O século XXI trouxe novos desafios. O crescimento do streaming, as transformações no modo de consumo de filmes e as cobranças por maior representatividade levaram a Academia a rever regras, ampliar seu quadro de membros e criar critérios mais inclusivos.
Em 2020, o Oscar viveu um de seus momentos mais históricos. "Parasita", produção sul-coreana, venceu o prêmio de Melhor Filme, tornando-se o primeiro longa em língua não inglesa a conquistar a principal estatueta. O resultado simbolizou uma mudança clara na visão da Academia sobre o cinema global.
No mesmo período, a pandemia da Covid-19 forçou adaptações inéditas, com cerimônias híbridas e mudanças nas regras de elegibilidade.
Rumo aos 100 anos
Com a aproximação do centenário, o Oscar se prepara para celebrar não apenas sua história, mas também seu futuro. A 100ª cerimônia, marcada para 2028, representa um marco simbólico para uma premiação que sobreviveu a guerras, crises, revoluções tecnológicas e profundas transformações culturais.
A Academia sinaliza um caminho cada vez mais internacional, digital e conectado com novas audiências, sem abandonar a tradição que construiu sua reputação ao longo de um século.
Um espelho do cinema e do seu tempo
Do jantar silencioso em 1929 ao espetáculo global transmitido para o mundo inteiro, o Oscar se tornou mais do que um prêmio. Ele é um reflexo das mudanças do cinema, da sociedade e da forma como histórias são contadas e valorizadas.
Amado, criticado, questionado, mas sempre relevante, o Oscar segue como o principal termômetro simbólico da indústria cinematográfica. Ao se aproximar dos 100 anos, a premiação mostra que, assim como o cinema, sua maior força está na capacidade de se reinventar sem perder a memória.
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